O emaranhado de cabos que corta os céus das cidades brasileiras cobrou um preço alto no último ano. Dados compilados de órgãos de segurança e associações do setor revelam que 2025 foi um dos anos mais críticos para acidentes envolvendo fios de telecomunicações soltos ou baixos nas vias públicas. O que antes era tratado como problema estético ou de ordenamento urbano, consolidou-se como um grave risco à vida.
Segundo dados da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), apenas entre janeiro e agosto de 2025, o país registrou 176 mortes em acidentes que envolveram a infraestrutura de redes aéreas. No total, o primeiro semestre contabilizou mais de 1.000 ocorrências, variando de quedas de motos a choques elétricos fatais.
O “Perigo Oculto” da Fibra Óptica
Um dos dados mais alarmantes levantados pelas perícias em 2025, como as realizadas pela Polícia Científica de Goiás, é a desmistificação de que “fio de internet não dá choque”.
Embora a fibra óptica transmita dados por luz, a estrutura do cabo muitas vezes possui uma guia metálica para sustentação. Quando esses fios se soltam e encostam na rede elétrica de média tensão — algo comum em dias de chuva e vento — eles se tornam condutores letais.
“Muitas tragédias ocorreram porque o pedestre tentou afastar o fio com a mão, acreditando ser inofensivo. Em janeiro de 2025, tivemos um aumento de 140% nos acidentes elétricos dessa natureza”, alertam os relatórios de segurança.
Motociclistas na linha de frente
Nos hospitais de trauma, o cenário é de guerra. Motociclistas e ciclistas representaram a maioria das internações ligadas a esse tipo de sinistro. O fio solto cria uma espécie de “barriga” na rua, que pode se enroscar nas rodas do veículo ou, pior, no pescoço do condutor, agindo como uma guilhotina ou causando quedas brutais.
A resposta das autoridades e concessionárias
Diante da pressão popular e de inquéritos policiais abertos após mortes em estados como Goiás, Pernambuco e Distrito Federal, as operações de limpeza se intensificaram.
Os números da remoção de “lixo tecnológico” impressionam e dão a dimensão do descaso:
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Em Mato Grosso, a Energisa removeu cerca de 400 km de fios irregulares em 2025 — um peso equivalente a 25 toneladas de material descartado.
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Em Minas Gerais, a Cemig retirou mais de 16 toneladas de cabos inúteis apenas no primeiro semestre.
Diversos municípios aprovaram, ao longo do ano passado, leis mais rígidas que obrigam as empresas de telecomunicações a identificar nominalmente seus cabos e removerem o excedente sob pena de multas diárias.
Serviço: O que fazer ao encontrar um fio solto?
A orientação do Corpo de Bombeiros e das concessionárias de energia é estrita:
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Jamais toque na fiação, mesmo que pareça ser apenas de telefone ou TV. O risco de estar energizada é alto.
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Isole a área visualmente, se possível, para alertar outros pedestres, mas mantenha distância.
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Acione a Concessionária de Energia do seu estado imediatamente.
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Em caso de risco iminente de acidente ou fumaça, ligue para os Bombeiros (193).



