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Justiça bloqueia R$ 11,3 milhões de indígenas suspeitos de garimpo ilegal em terra de MT

De acordo com o Ministério Público Federal, lideranças indígenas cobravam até 20% dos minérios extraídos ilegalmente para permitir a entrada de garimpeiros no território.

Garimpo localizado na Terra Indígena Sete de Setembro — Foto: GreenPeace

A Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 11,3 milhões em bens de cinco pessoas investigadas por mineração ilegal na Terra Indígena Sete de Setembro, localizada no município de Rondolândia, a cerca de 1.600 quilômetros de Cuiabá.

A decisão foi proferida pelo juiz Rodrigo Bahia Accioly Lins, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal. A medida foi divulgada na sexta-feira (6) e tem como objetivo garantir recursos para a reparação dos danos ambientais causados pela atividade ilegal na área, que fica na divisa entre Mato Grosso e Rondônia.

Entre os investigados estão quatro lideranças indígenas, suspeitas de cobrar valores para permitir a entrada de garimpeiros não indígenas no território. De acordo com o MPF, os envolvidos cobravam até 20% do valor dos minérios extraídos ilegalmente como forma de autorização para o funcionamento do garimpo na região.

Segundo as investigações, um dos investigados seria responsável por coordenar as atividades dos garimpeiros e ameaçar membros da própria comunidade indígena que tentavam impedir o avanço das atividades ilegais dentro da terra indígena.

O esquema foi revelado durante a Operação Olhos Fechados, realizada em maio de 2025. Na ocasião, a ação resultou na prisão preventiva dos investigados.

Durante as fiscalizações realizadas na área, agentes encontraram acampamentos e motores de grande porte utilizados na extração mineral, além de uma estrutura logística montada para manter o funcionamento do garimpo clandestino por longos períodos dentro da floresta.

As investigações apontaram ainda que havia uma organização estruturada para exploração ilegal, com duas frentes de atuação: uma voltada para a extração de diamantes e outra para a extração de ouro.

De acordo com laudo da Polícia Federal, a degradação ambiental na região começou em junho de 2022 e se estendeu até 2025, período em que 27,29 hectares de floresta nativa do bioma Amazônia foram desmatados em decorrência das atividades ilegais.

As investigações continuam para apurar a participação de outros envolvidos e dimensionar os impactos ambientais causados pela exploração clandestina na região.

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