O voto que ecoa mais do que palavras
A decisão de seis vereadores de votar contra a abertura de uma CPI para investigar o prefeito não é um ato político qualquer. Trata-se de uma escolha que carrega peso, consequências e responsabilidade. Em uma democracia, quando há suspeitas, questionamentos e cobrança popular, investigar não é ataque — é dever.
O que causa ainda mais indignação não é apenas o voto contrário, mas o silêncio absoluto que veio logo depois.
O silêncio que incomoda a cidade
Até o momento, nenhum dos seis vereadores veio a público para explicar os motivos de ter barrado a CPI. Não houve nota oficial, coletiva de imprensa ou qualquer justificativa direta ao eleitor. Esse silêncio não é neutro. Ele comunica — e comunica mal.
A população quer saber:
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Por que investigar foi considerado errado?
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O que motivou esse voto?
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A quem, afinal, esses vereadores estão servindo?
Quando representantes eleitos se calam diante de questionamentos legítimos, abrem espaço para a desconfiança, a especulação e o desgaste institucional.
Vereador não é aliado do prefeito, é fiscal do Executivo
É preciso relembrar algo básico, mas que parece ter sido esquecido:
vereador não é subordinado ao prefeito.
O papel do vereador é claro e constitucional:
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Fiscalizar o Executivo
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Questionar atos da Prefeitura
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Defender o interesse da população
Quando um vereador vota para impedir uma investigação e depois se recusa a explicar sua decisão, ele deixa de cumprir sua função essencial e passa a atuar como escudo político do prefeito.
CPI não condena, CPI investiga
Outro ponto que precisa ser esclarecido: abrir uma CPI não significa condenar ninguém. CPI é um instrumento de apuração, de transparência e de resposta à sociedade. Quem não deve, não teme investigação.
Barrar uma CPI, especialmente em um cenário de crise política, ataques à imprensa e conflitos institucionais, apenas reforça a sensação de que há algo que precisa — sim — ser esclarecido.
Quando o voto parece ir contra o povo
A população de Pontes e Lacerda não pediu condenação antecipada. Pediu explicação. Pediu apuração. Pediu respeito. Ao votar contra a CPI e permanecer em silêncio, esses seis vereadores passam a imagem de que estão mais preocupados em proteger o prefeito do que em ouvir quem os elegeu.
E isso é grave.
A conta chega nas urnas
A política tem memória. O eleitor observa, registra e cobra. Quem hoje se esconde atrás do silêncio precisa compreender que o mandato é público, o voto é público e a responsabilidade também.
A população não está errada em cobrar.
Errado é fingir que nada aconteceu.
Pontes e Lacerda merece respostas.
E vereador que se cala diante do povo, um dia será respondido por ele.



