O ano de 2025 foi marcado por avanços históricos na suinocultura brasileira, com destaque para o desempenho de Mato Grosso, que acompanhou a tendência nacional e bateu recordes em exportações e abates. O setor, que enfrentou desafios nos anos anteriores, mostrou recuperação com valorização da produção e ampliação de mercados.
Entre os principais marcos do ano está o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação, um passo importante que amplia o acesso a novos mercados e reforça o status sanitário do país, especialmente no estado de Mato Grosso.
Além disso, houve uma mudança significativa no perfil dos compradores da carne suína. Filipinas assumiram a liderança nas exportações, representando 24,5% da receita do setor, seguidas por Japão, China e Chile — mercados com alto nível de exigência sanitária.
De acordo com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional de carne suína chegou a 5,47 milhões de toneladas, representando um crescimento de 2% em relação a 2024. No mesmo ritmo, as exportações aumentaram 10,8% no acumulado de janeiro a novembro de 2025.
Em Mato Grosso, os números também foram positivos. Segundo dados do Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína saltaram de US$ 59,97 milhões (jan-nov/2024) para US$ 68,55 milhões (jan-nov/2025).
Mesmo com o aumento nas exportações, o mercado interno se manteve abastecido. A oferta acompanhou a demanda, sem gerar escassez para o consumidor brasileiro. O bom momento também refletiu na remuneração dos produtores. Segundo o Cepea, os preços pagos ao suinocultor independente subiram 10,8% até o 3º trimestre, comparado ao mesmo período de 2024.
“O cenário demonstra a capacidade produtiva do país. Sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume”, afirmou o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.
Perspectivas para 2026
Apesar dos bons resultados, o setor acende o alerta para 2026 em função dos custos de produção. Atrasos no plantio da safra 2025/2026, provocados por problemas climáticos e falta de chuvas, podem afetar a produtividade do milho — um dos principais componentes da alimentação animal.
“A orientação é que os produtores estejam preparados para possíveis elevações nos custos. Esperamos um ano comercial equilibrado, com estabilidade nos preços e nas exportações, mas atenção redobrada aos impactos do custo de produção”, destacou Tannure.
Mesmo sem aumento expressivo no plantel, Mato Grosso manteve a expansão da produção estadual em ritmo constante, acompanhando o crescimento da demanda sem comprometer o abastecimento.
O desempenho de 2025 reforça a resiliência da suinocultura mato-grossense, que vem se consolidando como um dos pilares da agropecuária no estado, com forte capacidade de competir em mercados internacionais e atender o mercado interno com qualidade.



