O adolescente de 17 anos apreendido por envolvimento na morte de Murilo Pessoa Teixeira, de 14 anos, ocorrida no último sábado (17), em Cáceres (MT), possui uma extensa ficha criminal. As informações levantadas pelas forças de segurança apontam que ele já era conhecido pelas autoridades e acumula passagens por crimes como homicídio, ameaça, posse de arma de fogo e violação de domicílio.
Um dos casos mais graves atribuídos ao menor ocorreu no bairro Betel, quando ele teria invadido uma residência em busca de um rival. Sem encontrar o alvo, o adolescente apontou a arma para a mãe do homem, uma mulher de 49 anos, e teria dito: “Se for ele, então vai ser a senhora”. O episódio foi registrado e o menor chegou a confessar a ação, mas acabou sendo liberado pouco tempo depois.
Em fevereiro de 2025, o mesmo adolescente chegou a ser internado provisoriamente por ordem da Justiça, mas permaneceu apenas 45 dias custodiado, sendo liberado em seguida.
A Polícia Civil agora investiga a possível participação do menor em um outro homicídio registrado em 14 de janeiro de 2026, também em Cáceres. Na ocasião, Roney da Silva Barbosa Mendes de Oliveira foi morto com quatro tiros, um deles na cabeça, no Campo do Areal, no bairro Cavalhada III.
Testemunhas relataram que a vítima discutiu com dois homens antes de ser atingida. As descrições físicas e o modo de agir dos autores levantaram suspeitas sobre a ligação com o adolescente apreendido dias depois pela morte de Murilo. Ele seria, segundo a polícia, um dos “braços armados” da facção criminosa que atua na cidade.
As autoridades relacionam os seguintes registros à trajetória do menor:
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Posse de arma: detido e liberado um dia antes de novos crimes;
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Internação provisória (fev/2025): ficou 45 dias sob custódia;
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Execução de Roney (14/01/2026): suspeito de envolvimento;
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Homicídio de Murilo (17/01/2026): atirou por engano em adolescente de 14 anos.
Justiça é cobrada por moradores
A sequência de delitos atribuídos ao menor e a constatação de que ele estava solto pouco tempo após cada apreensão reacenderam o debate sobre a efetividade das medidas socioeducativas.
Moradores da cidade têm usado as redes sociais para cobrar uma resposta mais dura do Estado diante da reincidência de menores infratores ligados a facções criminosas. Uma carta aberta, escrita por uma moradora local, viralizou após o assassinato de Murilo, questionando: “Como uma cidade pode prosperar quando criminosos perigosos são devolvidos à sociedade em tão pouco tempo?”
O menor foi linchado por populares após o crime do último sábado e segue sob custódia hospitalar no Hospital Regional de Cáceres. Após a alta médica, deverá ser apresentado novamente ao Ministério Público.
A expectativa da sociedade local é que, diante da gravidade do caso e do histórico de reincidência, a Justiça determine uma medida socioeducativa em regime fechado, com acompanhamento mais rigoroso.