Sirlei Gomes de Oliveira foi morta a tiros pelo próprio marido, na frente dos três filhos do casal, em um feminicídio registrado na tarde deste domingo (9), na região rural conhecida como Cambará, na Fazenda Lagoa Serena, em Vila Bela da Santíssima Trindade. O suspeito fugiu e continua sendo procurado pelas forças de segurança.
Segundo informações preliminares, o marido teria efetuado vários disparos de arma de fogo contra a vítima. Mesmo atingida, Sirlei ainda tentou correr até a casa de um vizinho, onde caiu e não resistiu aos ferimentos. As três crianças presenciaram o crime e ficaram sob os cuidados do Conselho Tutelar, já que a parente mais próxima informada, a avó, mora em Goiás.
Um retrato que se repete no país
O crime que enlutou Vila Bela não é um caso isolado. Ele se soma a uma estatística que só cresce no Brasil.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.492 feminicídios em 2024 — o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015 —, uma média de quatro mulheres mortas por dia. Os dados de 2025 apontam número ainda maior: 1.568 vítimas.
O perfil dos crimes se repete de forma dolorosa. De acordo com o levantamento, 8 em cada 10 feminicídios são cometidos pelo companheiro ou ex-companheiro da vítima, e 64% acontecem dentro da própria casa — exatamente como no caso de Sirlei. Em 97% dos casos, o autor é um homem.
O peso nas cidades pequenas
Os dados revelam ainda um alerta que toca diretamente a realidade de municípios como Vila Bela da Santíssima Trindade: as cidades menores concentram proporcionalmente mais feminicídios. Segundo o Fórum, as cidades de até 100 mil habitantes reúnem 50% dos feminicídios do país, embora abriguem 41% da população feminina — uma sobrerrepresentação das mortes por razões de gênero no interior.
Buscas e investigação
Durante as diligências, foram localizadas na residência do suspeito três armas de fogo — uma garrucha, uma carabina e uma espingarda. Informações preliminares apontam que ele teria fugido levando a arma possivelmente usada no crime.
A Polícia Militar mantém buscas na região, enquanto a Polícia Civil e a Politec realizam os procedimentos periciais. As forças de segurança seguem mobilizadas para localizar o suspeito.
Nota: Os fatos relatados constam em informações preliminares da ocorrência policial. O suspeito é procurado e responderá criminalmente, respeitando-se a presunção de inocência. A identidade das crianças que presenciaram o crime é preservada. Se você ou alguém que conhece vive uma situação de violência, denuncie: Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 ou Polícia Militar – 190.



