A Polícia Civil de Pontes e Lacerda prendeu na última quarta-feira (1º) o padrasto e a mãe de duas meninas, de nove e dez anos, suspeitos de abuso e exploração sexual infantil. O casal foi detido na Comunidade Serro Azul, a cerca de 60 quilômetros do centro da cidade.
O caso chegou ao conhecimento da polícia após o Conselho Tutelar receber uma denúncia anônima. O inquérito da Polícia Civil aponta que o padrasto, suspeito inicial dos abusos, e a mãe foram presos após as investigações confirmarem a participação de ambos nos crimes. A mãe, segundo a Polícia Civil, foi conivente com os abusos e ainda explorava sexualmente as filhas por meio de pagamentos.
Em entrevista nesta sexta-feira (5), o delegado Wendel, que acompanha o caso, deu detalhes sobre a investigação.
Detalhes da investigação
O delegado informou que o caso de abuso ocorreu no âmbito familiar e que o padrasto aproveitava a convivência doméstica para praticar os crimes contra as enteadas, que são filhas da mãe boliviana com um relacionamento anterior. A família, que tem um filho em comum de cerca de dois anos, morava no Brasil há seis anos.
Inicialmente, a suspeita era de que o padrasto abusava das duas enteadas. Após depoimento especial das crianças, a polícia confirmou que o abuso do padrasto ocorreu contra a filha mais velha, de dez anos, e que vinha acontecendo há cerca de três anos.
Avançando nas investigações, a Polícia Civil constatou a exploração sexual. Informações indicaram que outros dois suspeitos estariam envolvidos, mas apenas um deles foi confirmado pelas crianças. Foi nesse contexto que se descobriu que a mãe estava oferecendo as filhas para a prática de abusos em troca de vantagem econômica, ou seja, recebendo dinheiro.
“De fato, esse foi um caso que chamou a atenção. É incomum crianças de nove ou dez anos chegarem com quantias elevadas na escola”, afirmou o delegado, ressaltando que essa situação atípica alertou a direção escolar e o Conselho Tutelar.
Maus-tratos e prisão
O delegado Wendel confirmou que, além dos abusos e da exploração sexual, as crianças relataram situações de maus-tratos no próprio depoimento especial. A mais nova, de nove anos, relatou ter sido agredida com uma concha pela mãe, que chegou a introduzir o objeto em sua garganta.
Após os depoimentos das crianças, o Ministério Público representou pela prisão preventiva. O padrasto e a mãe foram detidos, mas optaram por permanecer em silêncio durante o interrogatório. A mãe, que inicialmente negou os fatos em agosto, calou-se diante das novas evidências.
As crianças estão sob proteção e foram acolhidas institucionalmente em um lar de apoio da cidade em agosto, logo após o primeiro contato com o Conselho Tutelar.
O delegado fez um apelo para que as unidades escolares e a sociedade fiquem atentas a mudanças de comportamento em crianças e adolescentes e que “sinalizem o Conselho Tutelar, a polícia e o Ministério Público” para que fatos como este não fiquem impunes.



