Clima
--°C
Pontes e Lacerda

‘Agosto, mês do desgosto’: de onde vem a fama do mês mais temido do ano

Superstição que associa agosto ao azar tem origem em Portugal e ganhou força no Brasil com tragédias políticas; especialistas lembram que é crença, sem base científica

Foto: Ilustrativa

“Agosto, mês do desgosto.” Poucas expressões populares são tão conhecidas no Brasil quanto essa. Todo ano o oitavo mês volta a ser visto com desconfiança, associado a azar, perdas e acontecimentos difíceis. Mas de onde vem essa fama? A resposta mistura história, superstição e um pouco de coincidência.

A superstição de que agosto seria um mês azarado para casamentos vem de Portugal. No século XVI, durante as Grandes Navegações, era comum que as caravelas partissem em agosto. Como muitos homens embarcavam sem previsão de retorno, os casamentos acabavam sendo adiados, e criou-se a tradição de evitar uniões no período. A crença atravessou o Atlântico e se enraizou no Brasil.

Durante muito tempo, foi comum as famílias evitarem casar em agosto, por medo de que a união trouxesse infelicidade ou dificuldades financeiras. Esse costume, porém, vem perdendo força: dados do IBGE mostram que, em 2023, foram oficializados 208.245 casamentos no mês de agosto, mais do que em fevereiro, setembro, outubro, novembro e dezembro.

As tragédias que reforçaram o mito no Brasil

No Brasil, a fama negativa foi alimentada por uma série de episódios marcantes que aconteceram justamente em agosto. Foi em agosto que Getúlio Vargas se suicidou (1954), que Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro (1976) e que a renúncia de Jânio Quadros ocorreu (1961), abrindo caminho para uma grave crise política. Três presidentes da República, três episódios dramáticos, todos no mesmo mês.

No mundo, o mês também ficou marcado por eventos trágicos, como os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945.

Mito ou realidade?

Apesar das coincidências, não há base científica para a ideia de que agosto seja um mês de azar. A fama de mês do azar pode ter sido construída pela combinação de tradições, acontecimentos históricos e pela forma como a memória coletiva seleciona aquilo que deseja lembrar.

Ou seja: como esperamos que “coisas ruins” aconteçam em agosto, tendemos a lembrar mais das notícias negativas do mês e a esquecer as boas. O mesmo período que reúne tragédias também é marcado por conquistas, avanços e celebrações.

Um outro olhar

Em vez de encarar agosto como um período de desgosto, há quem prefira usá-lo de forma positiva. Muitas pessoas preferem utilizá-lo como um momento de reorganização, fortalecimento emocional e preparação para os meses finais do ano. No fim das contas, cada mês é construído não só pelos acontecimentos, mas também pelas escolhas e pela forma como cada um decide viver.

Nota: Reportagem de caráter cultural, baseada em registros históricos e informações sobre a origem da superstição.

Receba as notícias mais relevantes de Vale do Araguaia e região direto no seu WhatsApp. Participe da Comunidade

PUBLICIDADE

EM DESTAQUE

PUBLICIDADE

Leia Mais