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Pontes e Lacerda

Policiais penais de Pontes e Lacerda e região são investigados por tortura contra detentos

Decisão do TJMT determina que a Sejus identifique servidores acusados de usar gás lacrimogêneo, balas de borracha e agressões físicas em celas.

Reprodução

Policiais penais que atuam nas unidades prisionais de Pontes e Lacerda, Cáceres, Araputanga e Mirassol D’Oeste estão na mira da Justiça. Uma decisão do desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), assinada na última quinta-feira (30), determinou a investigação dos servidores por suspeita de tortura e maus-tratos contra detentos.

A medida obriga a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus-MT) a identificar os agentes citados nos relatórios do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF/MT). Os documentos foram elaborados a partir de inspeções realizadas entre os dias 2 e 4 de março de 2026.

Relatos de Abusos e Tortura

Durante as vistorias, os presos relataram uma série de violências e graves violações de direitos humanos dentro das unidades. Entre as práticas denunciadas estão:

  • Uso de spray de pimenta diretamente nos olhos;

  • Aplicação de gás lacrimogêneo dentro de celas fechadas;

  • Disparos de balas de borracha no interior das celas;

  • Imposição de nudez forçada aos reeducandos;

  • Tapas, agressões físicas e ameaças;

  • Obrigação de raspagem de cabelo e barba sob a pena de serem colocados em isolamento.

O desembargador destacou que as condutas descritas extrapolam o campo administrativo. Ao menos 23 servidores já foram mencionados diretamente nos relatos: 11 na unidade masculina de Cáceres, nove na cadeia pública de Araputanga e três em Mirassol D’Oeste. A decisão estipula um prazo de até 48 horas após a intimação para a instauração de Processos Administrativos Disciplinares (PAD).

Procurada na sexta-feira (1º), a Sejus-MT informou que ainda não havia sido notificada oficialmente da decisão.

Histórico Recente e Outras Medidas

O sistema penitenciário de Mato Grosso tem enfrentado uma série de denúncias graves. Em fevereiro deste ano, a Justiça determinou o afastamento de 14 policiais penais envolvidos em suposta tortura na Penitenciária Ferrugem, em Sinop. O caso envolveu a morte do reeducando Walmir Paulo Brackmann, após a inalação de spray de pimenta disparado na unidade.

Além das investigações de tortura no interior do estado, o desembargador Orlando Perri emitiu outra decisão exigindo que o governo estadual adote providências imediatas para corrigir problemas estruturais e o racionamento de água em sete unidades prisionais apontadas com irregularidades.

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