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Após quase três anos de espera, famílias ocupam casas populares em Araputanga e são levadas à delegacia

Beneficiárias relatam dificuldades para pagar aluguel e dizem ter recebido sucessivas promessas de entrega; prefeitura atribui atraso à execução das obras

Reprodução

A demora na entrega de casas populares em Araputanga levou duas famílias contempladas pelo programa habitacional a ocuparem unidades na noite desta quarta-feira (30). As duas mulheres acabaram conduzidas à delegacia pela Polícia Militar após entrarem nas residências ainda não oficialmente entregues.

O conjunto habitacional faz parte de uma parceria entre o município e o Governo de Mato Grosso. A Prefeitura de Araputanga informou anteriormente que 45 famílias seriam beneficiadas pelo programa, com seleção vinculada ao Ser Família Habitação. Em 2025, 62 inscrições chegaram a ser habilitadas para a fase seguinte, das quais 45 seriam selecionadas para receber as casas.

Em entrevista ao site AraputangaNews, as beneficiárias disseram que aguardam há quase três anos pela conclusão e entrega das moradias e que, ao longo desse período, teriam recebido diferentes previsões de entrega.

Uma das mulheres relatou que a situação financeira se tornou insustentável.

“A gente mora de aluguel, trabalha e ganha muito pouco. Eu, como mãe, estava desesperada. Foi um desespero de duas mães. Ou eu pago aluguel ou eu como.”

Segundo ela, o aluguel custa cerca de R$ 500 por mês, além de despesas de energia que variam entre R$ 200 e R$ 300. Mãe de quatro filhos, três deles morando atualmente com ela, afirmou que não consegue mais continuar aguardando sem uma previsão concreta.

“Eu sou sozinha, tenho quatro filhos e não tenho condições de ficar só na promessa”, declarou.

As mulheres também relataram problemas nos imóveis alugados onde vivem atualmente. Em um dos casos, a residência estaria com portas em más condições, enquanto o proprietário aguardaria a saída da família para realizar reformas.

Obras começaram em 2024

Registros oficiais da Prefeitura mostram que a construção das casas populares começou em janeiro de 2024. Na época, o município anunciou que 45 famílias seriam beneficiadas, sendo 22 unidades inicialmente construídas no bairro Carvalho. A previsão divulgada naquele momento era de que as moradias fossem concluídas ainda em 2024.

Em fevereiro de 2024, a Prefeitura voltou a informar que as obras estavam em andamento. Já em julho de 2025, publicou que as casas do bairro Carvalho estavam em fase final de construção.

Mesmo assim, mais de um ano depois daquela atualização, as beneficiárias ouvidas nesta semana afirmam que ainda aguardavam a entrega oficial.

Prefeito diz que município tenta concluir as obras

O prefeito Enílson de Araújo Rios esteve no local e afirmou que a administração municipal vem realizando reuniões com as empresas responsáveis pelo fornecimento de materiais e pela mão de obra para viabilizar a conclusão das casas.

“Só essa semana foram várias reuniões, internamente com a empresa que fornece os materiais e com a empresa que fornece o serviço de mão de obra para a gente poder finalizar”, afirmou.

Enílson também declarou que os critérios e procedimentos para entrega das unidades são definidos pelo Governo do Estado e que a Prefeitura teria cumprido as etapas sob responsabilidade do município.

A própria Prefeitura informou, durante o processo seletivo de 2025, que a relação final das famílias beneficiadas dependeria de análise e validação estadual.

Segundo o prefeito, as famílias que entraram nos imóveis antes da entrega formal podem colocar em risco o direito às unidades. A declaração, contudo, representa a posição apresentada pelo gestor naquele momento; eventual perda do benefício dependerá dos procedimentos administrativos aplicáveis ao programa.

Famílias cobram uma data definitiva

O episódio evidencia a diferença entre o cronograma inicialmente anunciado e a situação relatada atualmente pelas beneficiárias.

Em janeiro de 2024, a Prefeitura afirmou que o projeto seria concretizado ainda naquele ano. Em julho de 2025, as obras eram descritas oficialmente como em fase final. Já as famílias que ocuparam as unidades nesta quarta-feira afirmam que seguem sem uma data definitiva para receber as chaves.

O Governo de Mato Grosso informa que o Ser Família Habitação atua em diferentes modalidades e já viabilizou mais de 40 mil moradias no estado, com investimentos estaduais em dezenas de municípios.

Outra família vive às margens da MT-175

Em outro caso relatado em Araputanga, uma família que afirma não ter condições de pagar aluguel construiu um casebre às margens da MT-175, na saída para São José dos Quatro Marcos.

A situação também chama atenção para a pressão por moradia enfrentada por famílias de baixa renda no município enquanto projetos habitacionais seguem em andamento.

O Canal Diário deixa espaço aberto à Prefeitura de Araputanga e ao Governo de Mato Grosso para atualização sobre o estágio atual das obras, a previsão oficial de entrega das unidades e a situação das duas famílias que ocuparam as casas.

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