A mãe de Lucas Daniel Souza de Oliveira, de 22 anos, morto após ser atropelado por uma motocicleta de alta cilindrada na Avenida Marechal Rondon, em Pontes e Lacerda, fez um apelo por justiça nesta quarta-feira (16). Janaína recebeu a equipe do Canal Diário em sua casa, no Jardim Morada da Serra, e relatou a dor da família desde a madrugada de domingo (13), quando foi informada sobre o acidente e encontrou o filho sem vida no local.
Lucas atravessava a Avenida Marechal Rondon por volta das 5h, nas proximidades do Posto Idaza, quando foi atingido por uma Triumph Tiger 900 Rally Pro. Imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos da região registraram o momento da colisão. Conforme informações preliminares repassadas pelas forças de segurança, o motociclista estaria trafegando em alta velocidade e teria realizado manobras perigosas antes do impacto. A força da batida foi tamanha que a vítima e a motocicleta foram parar a dezenas de metros do ponto da colisão.
Após o acidente, o condutor, um jovem de 19 anos, deixou o local e abandonou a motocicleta, que posteriormente foi apreendida e removida por um guincho. Lucas permaneceu caído na avenida e o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas ele já estava sem sinais vitais quando a equipe chegou. A Polícia Militar isolou a área até a chegada da Polícia Civil e da Politec, responsáveis pelos procedimentos de investigação e perícia.
Condutor se apresentou e foi liberado
Segundo informações apuradas pelo Canal Diário e confirmadas pela imprensa local, o jovem de 19 anos se apresentou à Delegacia de Polícia Civil nesta terça-feira (15), acompanhado por dois advogados. Após prestar os esclarecimentos, ele deixou a unidade policial e segue respondendo ao caso em liberdade neste momento.
Foi justamente essa situação que aumentou a revolta da família. Janaína afirmou que ficou indignada ao saber que o condutor havia se apresentado e saído da delegacia pouco depois. Para ela, a sensação é de que a família perdeu o filho enquanto o responsável pelo atropelamento continua em liberdade.
“Eu só quero justiça pela morte do meu filho. Eu quero que ele pague pelo que ele fez. Dinheiro nenhum no mundo vai trazer a vida do meu filho de volta”, afirmou a mãe durante a entrevista.
Responder ao caso em liberdade não significa encerramento da investigação ou absolvição. A Polícia Civil continua responsável pela apuração e poderá reunir imagens, depoimentos, perícias e outros elementos para definir a dinâmica do atropelamento e eventual responsabilização criminal. Medidas cautelares ou pedidos de prisão dependem dos requisitos previstos em lei e de decisão judicial.
Condutor já havia se envolvido em outro acidente
A apuração do Canal Diário também confirmou que o mesmo jovem de 19 anos esteve envolvido em outro acidente de trânsito registrado em 4 de fevereiro de 2026, em Pontes e Lacerda. Naquela ocasião, ele conduzia um Toyota Corolla que se envolveu em uma colisão com uma bicicleta elétrica na Avenida Goiás, em frente ao Clube Cantão.
Agora, pouco mais de sete meses depois, o jovem volta a se envolver em um acidente, desta vez conduzindo uma motocicleta de alta cilindrada e com resultado fatal. As circunstâncias de cada ocorrência são independentes e devem ser analisadas separadamente pelas autoridades.
Mãe relata dor ao encontrar o filho
Durante a entrevista, Janaína se emocionou ao lembrar do momento em que chegou ao local do atropelamento. Ela contou que costumava assistir a notícias de acidentes e imaginar a dor das famílias, mas nunca pensou que viveria situação semelhante.
“Nunca imaginei que eu ia ver meu filho numa situação daquela, todo quebrado, jogado no chão. Eu sempre via reportagem de acidente com outras pessoas e falava: ‘Meu Deus, coitado do coração daquela mãe’. E eu passar por uma situação dessa foi terrível. É a pior dor do mundo”, relatou.
A mãe contou ainda que Lucas era um jovem trabalhador, brincalhão e muito querido pelos amigos. Ele deixou um filho pequeno, que deve completar dois anos. Segundo Janaína, qualquer lugar da casa agora traz alguma lembrança do filho.

Família precisou arrecadar dinheiro para funeral
Janaína também revelou que a família enfrentou dificuldades financeiras para custear o funeral de Lucas. Segundo ela, foram obtidos R$ 3 mil emprestados e outros R$ 3.320 arrecadados por meio de uma vaquinha organizada após a morte do jovem.
A mãe afirmou que os pais do condutor e um advogado foram até a família posteriormente e devolveram os R$ 3 mil que haviam sido emprestados para as despesas. Segundo ela, não houve ajuda em relação ao restante do valor arrecadado.
Celular e imagens foram entregues à Polícia Civil
Durante a apuração, Janaína contou que o delegado solicitou o celular de Lucas, que foi entregue à Polícia Civil. Ela afirmou ainda que recebeu de amigos do filho vídeos gravados na região e encaminhou o material aos investigadores para contribuir com o esclarecimento do caso.
A mãe também relatou ter recebido contato do advogado ligado ao condutor, mencionando supostas ameaças contra o jovem. Janaína negou qualquer ligação da família com facção criminosa e reforçou que seu único objetivo é buscar responsabilização pela morte do filho.
“Eu não tenho envolvimento com facção, não tenho contato, não tenho nada. Eu só quero justiça pela morte do meu filho”, declarou.
Família cobra resposta
O caso de Lucas reacendeu entre moradores de Pontes e Lacerda a discussão sobre acidentes graves que terminam em morte e sobre a situação de condutores que deixam o local e posteriormente se apresentam às autoridades.
A indignação demonstrada pela família e por moradores não substitui a apuração legal sobre as responsabilidades. Caberá à Polícia Civil reunir as provas e encaminhar o resultado da investigação ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que deverão avaliar as medidas cabíveis.
Para Janaína, o pedido permanece o mesmo desde a morte do filho: justiça. “Meu filho não vai estar mais em casa, não vai poder me ver e eu não vou poder ver ele nunca mais. Eu só quero que isso não fique impune”, afirmou.



