A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (12) mais uma ofensiva contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em uma nova etapa da Operação Rondon – Fase 7. A ação resultou na destruição de túneis, minas, acampamentos, motores, geradores de energia e maquinários usados na exploração clandestina de ouro.
O território indígena, que se estende pelos municípios de Pontes e Lacerda, Conquista D’Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade, tornou-se um dos mais devastados do Brasil, com mais de 3 mil hectares já degradados pela atividade criminosa. A estimativa é que cerca de 2 mil garimpeiros e integrantes de facções criminosas, como o Comando Vermelho, atuem dentro da área.
Durante a operação, 14 bunkers (refúgios subterrâneos) foram localizados, contendo estoques de alimentos e equipamentos para sustentar as ações ilegais. A Polícia Federal também encontrou explosivos utilizados na abertura de minas clandestinas, cuja origem será investigada.
Apesar do impacto da ação, não houve registro de presos ou feridos nesta fase da operação. Os proprietários dos maquinários ainda não foram identificados.
Operação de desintrusão
A ação integra a operação de desintrusão — termo utilizado para descrever o processo de retirada de invasores de terras indígenas demarcadas e homologadas — e está sendo conduzida por ordem da Justiça Federal. A operação é coordenada pelo Ibama em parceria com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Abin, Funai, Força Nacional, Gefron, Polícia Civil e Polícia Militar de Mato Grosso e Goiás. A operação não tem prazo para encerrar.
Segundo o Ibama, desde o início das ações de fiscalização, em 2023, mais de 460 escavadeiras hidráulicas foram destruídas no Sararé, além de centenas de motores e estruturas logísticas. Somente nos últimos dois meses, 160 escavadeiras foram neutralizadas.
Além do Sararé, parte dos investigados também está envolvida em crimes ambientais na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, onde o prejuízo estimado ao garimpo ilegal já ultrapassa R$ 226 milhões.



