Mato Grosso registrou uma queda de 46,7% no desmatamento da Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
A área desmatada no território mato-grossense inserido no bioma passou de 1.593 km², no período anterior, para 849 km² em 2025/2026. Mesmo com a redução, Mato Grosso teve a segunda maior área desmatada da Amazônia no período, atrás apenas do Pará, que registrou 1.130 km².
No conjunto da Amazônia, o desmatamento caiu 41,8%. Foram registrados 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, contra 5.731 km² no período anterior.
Segundo o INPE, esse é o menor índice da série histórica de monitoramento do bioma, iniciada em 1988. Até então, o menor resultado havia sido observado em 2012, quando foram registrados 4.571 km².
Mato Grosso também aparece nos dados do Cerrado
No Cerrado, o desmatamento nacional caiu 23,8%, passando de 7.235,27 km² para 5.516,69 km².
Mato Grosso apresentou estabilidade nesse bioma. A área passou de 455,39 km² no período de 2024/2025 para 454,52 km² em 2025/2026, o que representa redução de apenas 0,2%.
Os maiores índices de supressão no Cerrado foram registrados no Maranhão, com 1.718,59 km²; Tocantins, com 1.263,06 km²; e Piauí, com 625,24 km².
Os estados que formam a região conhecida como Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — concentraram 74,3% de todo o desmatamento registrado no Cerrado durante o período analisado.
Menores taxas das séries históricas
De acordo com o INPE, tanto a Amazônia quanto o Cerrado atingiram em 2026 os menores níveis de desmatamento já registrados em suas respectivas séries históricas.
Na Amazônia, o monitoramento começou em 1988. No Cerrado, a série teve início em 2001. O menor valor anterior registrado no Cerrado havia ocorrido em 2019, com 6.319 km² desmatados.
O levantamento é realizado pelo Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros, por meio do sistema Prodes.
Os dados de 2026 correspondem ao período compreendido entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho deste ano.
Fiscalização e monitoramento
O Governo Federal atribui a redução a um conjunto de medidas envolvendo monitoramento por satélite, fiscalização ambiental, ordenamento territorial e incentivo a atividades produtivas sustentáveis.
Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou 76.095 ações de fiscalização no país e emitiu 25.101 autos de infração relacionados à flora, que somaram R$ 11,8 bilhões em multas.
No mesmo período, foram embargados 18.630 km² e emitidos mais de 15 mil termos de apreensão.
O INPE também anunciou investimentos para ampliar o monitoramento dos biomas brasileiros. Um projeto de R$ 147,6 milhões prevê integrar os sistemas Prodes e Deter e utilizar inteligência artificial para melhorar o acompanhamento da vegetação nativa.
Diferença entre desmatamento e queimadas
O INPE ressalta que os números de desmatamento não devem ser confundidos com dados de queimadas e incêndios florestais.
O Prodes mede a supressão da vegetação nativa. Já os incêndios podem atingir áreas anteriormente abertas ou degradar vegetação sem que necessariamente toda a área seja classificada como desmatada.
Além disso, os dados divulgados agora correspondem ao período encerrado em julho de 2026 e, portanto, não incluem incêndios ocorridos nos meses seguintes.




