O turismo de observação da onça-pintada, um dos principais atrativos do Pantanal mato-grossense, passou a ser alvo de um levantamento que busca medir de forma mais precisa o impacto econômico e social gerado pela atividade.

O estudo é conduzido pela Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS) em parceria com a WWF-Brasil, dentro do projeto “Transformando a onça-pintada em um ativo para o Pantanal”.

A pesquisa abrange uma área de 145 quilômetros, desde a Transpantaneira até o Parque Estadual Encontro das Águas, uma das regiões mais conhecidas de Mato Grosso para a observação da onça-pintada.

O objetivo é entender quanto essa atividade movimenta, como os recursos circulam entre os diferentes setores da economia local e quais condições são necessárias para que o turismo continue crescendo de forma sustentável.

O levantamento considera toda a cadeia envolvida na atividade, incluindo hospedagem, alimentação, transporte, operadores turísticos, guias, condutores, proprietários rurais e outros profissionais que trabalham diretamente ou indiretamente com visitantes interessados na observação da fauna. Olhar Direto

Pesquisa segue até março de 2027

O projeto foi iniciado em outubro deste ano e tem previsão de conclusão em março de 2027.

Uma das etapas é uma pesquisa aberta ao público, iniciada em 13 de outubro e disponível até 9 de novembro.

Além da coleta de informações pela internet, pesquisadores também realizam uma etapa presencial entre os dias 18 e 22 de outubro em Porto Jofre e ao longo da Transpantaneira.

Durante esse período, estão sendo ouvidos moradores, gestores públicos, empresários, guias, condutores, turistas e outros integrantes da cadeia turística.

Entre os pontos analisados está até mesmo a disposição dos visitantes em contribuir com uma eventual taxa destinada à conservação ambiental.

Onça viva como ativo econômico

Segundo a vice-presidente da TOVS, Suzi Camargo, o estudo pretende compreender como o valor econômico gerado pela presença da onça-pintada pode se transformar também em conservação ambiental e benefícios para quem vive no Pantanal.

A intenção é avaliar não apenas quanto dinheiro o turismo movimenta, mas também como esses recursos são distribuídos entre comunidades, empresários e profissionais locais.

O secretário adjunto de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Luis Carlos Nigro, destacou que a participação de empresários e trabalhadores do setor é fundamental para que o estudo represente a realidade do turismo pantaneiro.

Os resultados poderão ser utilizados pelo poder público e pela iniciativa privada para orientar investimentos, identificar gargalos, melhorar a organização da atividade e fortalecer Mato Grosso como destino de turismo de natureza.

Além da preservação ambiental, o turismo de observação da onça-pintada já movimenta setores como hotéis, pousadas, restaurantes, transporte fluvial, guias especializados e serviços de apoio aos visitantes.

A expectativa é que o levantamento ajude a demonstrar de forma mais concreta quanto a conservação da fauna pode gerar emprego, renda e oportunidades para as comunidades pantaneiras.