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Pontes e Lacerda

Operação Golden cumpre mandados contra núcleo financeiro do tráfico em Pontes e Lacerda

Segunda fase da operação mira lavagem de dinheiro de facção; alvo na cidade foi uma residência na Avenida Mato Grosso

Reprodução

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a segunda fase da Operação Golden, que apura a atuação de uma facção criminosa envolvida com tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais. Em Pontes e Lacerda, os policiais cumpriram mandado em uma residência localizada na Avenida Mato Grosso.

Ao todo, são cumpridas 14 ordens judiciais, sendo cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, oito bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros no limite de R$ 283,5 mil e uma medida cautelar diversa da prisão, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias Polo de Cuiabá.

Além de Pontes e Lacerda, as ordens judiciais são cumpridas em Várzea Grande e Tangará da Serra, e também em Itabela, no estado da Bahia.

Estrutura da operação

A operação foi deflagrada com base em investigações da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) e conta com apoio operacional da Delegacia Regional de Polícia de Pontes e Lacerda, da Delegacia de Tangará da Serra e da Draco da Polícia Civil da Bahia.

Entre os alvos está um detento preso em São Paulo, em razão de mandado de prisão expedido pela Justiça de Mato Grosso. O investigado possui vasta ficha criminal no estado por envolvimento em tráfico de drogas, homicídio, entre outros crimes.

Esta segunda fase tem como objetivo central a desarticulação do núcleo financeiro da facção, atingindo diretamente a estrutura econômica que sustenta as atividades ilícitas.

Empresa de fachada movimentou R$ 600 mil

As investigações identificaram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos investigados e a utilização de empresa de fachada.

Segundo os levantamentos da Denarc, uma empresa constituída em nome de um dos investigados, sem histórico empresarial relevante e com renda declarada modesta, movimentou mais de R$ 600 mil em apenas dois meses, sem lastro econômico compatível.

A investigação identificou ainda transferências financeiras entre pessoas apontadas como integrantes do grupo criminoso, incluindo suspeitos com antecedentes por tráfico de drogas e participação em facções.

Segundo o delegado André Rigonato, responsável pelas investigações, foram identificados repasses para a empresa com indícios de funcionamento incompatíveis com a atividade declarada, o que reforçou a hipótese de utilização de pessoas físicas e jurídicas para ocultação de recursos do tráfico.

“As medidas cautelares patrimoniais têm como finalidade impedir a ocultação ou dissipação de ativos supostamente oriundos da atividade criminosa, preservar elementos de prova e assegurar eventual reparação dos danos e perdimento de bens ao final da persecução penal”, destacou o delegado.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, documentos e outros materiais que serão analisados para subsidiar a continuidade das investigações.

Primeira fase apreendeu R$ 692 mil em Cáceres

A primeira fase da operação foi deflagrada em 13 de março de 2025, com o cumprimento de 18 ordens judiciais. As investigações tiveram origem após a prisão em flagrante de um casal envolvido com o tráfico de drogas.

Com o avanço das diligências, foi identificado que os integrantes do grupo utilizavam contas bancárias de terceiros e um estabelecimento comercial para movimentar valores da venda de entorpecentes.

Na sequência da primeira fase, foram apreendidos mais de R$ 692 mil em espécie e R$ 222 mil em cheques, valores localizados durante buscas realizadas em Cáceres, além do bloqueio de valores nas contas dos investigados.

Programa Tolerância Zero

A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o estado.

As investigações seguem em andamento e podem resultar na identificação de novos envolvidos.

Nota: Os fatos relatados constam em apuração policial. Os investigados respondem ao processo, respeitando-se a presunção de inocência.

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