A Polícia Civil de Mato Grosso afirma que Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, exercia papel de liderança do Comando Vermelho em Alta Floresta e municípios da região e teria sido responsável por determinar cerca de 80% dos homicídios praticados pela facção naquela área. A declaração foi feita pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), após a captura da foragida na Bolívia.
Angélica foi localizada e presa na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, em uma ação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso com autoridades bolivianas. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Segundo o delegado, a atuação atribuída à investigada ia além da determinação de homicídios. A Polícia Civil aponta influência sobre tráfico de drogas, extorsões, entrada e saída de armamentos e atividades criminosas relacionadas a áreas de garimpo, principalmente em Alta Floresta e cidades próximas. Conforme a investigação, ela teria mantido o comando mesmo durante períodos em que esteve presa e, posteriormente, enquanto permanecia escondida na Bolívia.
Angeliquinha possuía seis mandados de prisão em aberto expedidos durante o período em que esteve foragida. De acordo com a Polícia Civil, as condenações já impostas a ela ultrapassam 260 anos de prisão, envolvendo crimes como homicídio, tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
Uma das condenações mais expressivas ocorreu em março de 2025, quando ela recebeu pena de 99 anos e 11 meses de prisão pela morte de quatro trabalhadores em Nova Monte Verde. As vítimas foram mortas em agosto de 2022, e Angélica foi condenada por homicídios qualificados, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa.
A Polícia Civil também investigou a estrutura financeira ligada à liderança atribuída a Angeliquinha. Em março deste ano, a Operação Showdown cumpriu 31 ordens judiciais contra integrantes de um núcleo familiar apontado como responsável por apoiar as atividades criminosas e movimentar valores de origem ilícita. A investigação identificou movimentações superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses.
Entre as medidas cumpridas na operação estavam mandados de prisão e busca, sequestro de veículos e imóveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão de empresas. Segundo a apuração, negócios seriam utilizados para dar aparência de legalidade ao dinheiro proveniente das atividades criminosas.
Após a prisão em território boliviano, as autoridades trabalham nos procedimentos necessários para o retorno de Angélica ao Brasil. Ela deverá ficar à disposição da Justiça para cumprimento dos mandados e das condenações já existentes.



