Um ataque a tiros registrado na noite desta sexta-feira (23), no Residencial Vera, em Pontes e Lacerda, terminou com a morte de Sammy Karls Anez Meyer, de 19 anos, e deixou outros dois jovens, de 17 e 18 anos, feridos. A ocorrência ganhou novos desdobramentos após a Polícia Militar apontar que os três seriam ligados ao PCC e que os sobreviventes teriam admitido participação na tentativa de homicídio contra Elias Martins de Almeida, de 61 anos, conhecido como “Bucha”, ocorrida horas antes no bairro Morada da Serra.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 22h20 para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo em uma residência no bairro Vera. No imóvel, Sammy foi encontrado morto nos fundos da casa. Conforme o registro policial, havia grande quantidade de sangue e marcas que poderiam ser compatíveis com disparos de arma calibre 12, informação que ainda depende de confirmação pericial.

Durante as buscas, a Força Tática localizou Adrian Lucas de Lucena Gomes, de 18 anos, que havia conseguido fugir do imóvel após ser atingido. Ele apresentava ferimentos na coxa, no joelho e no couro cabeludo e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, sendo encaminhado ao Hospital Vale do Guaporé.
Um terceiro envolvido, adolescente de 17 anos, também conseguiu escapar após ser baleado na coxa. Ele foi localizado escondido em uma residência próxima, onde acontecia uma festa de aniversário. Segundo a PM, com o adolescente foi encontrado um revólver Smith & Wesson calibre .38, carregado com seis munições intactas. Após receber atendimento médico, ele foi apresentado à Polícia Civil.
Major aponta confronto entre facções
Em entrevista ao Canal Diário, o major Capobianco afirmou que a principal linha levantada durante a ocorrência é de uma disputa entre facções criminosas. Segundo ele, um grupo fortemente armado teria invadido a residência onde estavam os três jovens com a intenção de matá-los.
“Na verdade, foi um homicídio e duas tentativas. Um grupo criminoso, armado inclusive com calibre 12, invadiu a residência para matar três indivíduos que seriam faccionados. É uma facção querendo matar a outra”, explicou o major.
Conforme o relato policial, os autores do ataque noturno teriam chegado em um Gol branco, pulado o muro da residência e efetuado diversos disparos. A informação de que os atiradores seriam possivelmente ligados ao Comando Vermelho foi repassada pelo adolescente apreendido e ainda deverá ser confirmada pela investigação.
Os dois sobreviventes conseguiram fugir mesmo feridos. Sammy permaneceu no imóvel e foi encontrado morto.

Sobreviventes são suspeitos de ataque contra Bucha
Durante as entrevistas realizadas ao longo da ocorrência, a Polícia Militar começou a estabelecer uma possível ligação entre os três jovens que estavam no Residencial Vera e o atentado contra Bucha, registrado na tarde da mesma sexta-feira.
Segundo o major Capobianco, os envolvidos teriam chegado de Vilhena, em Rondônia, de ônibus, aproximadamente um dia antes. Conforme as declarações obtidas pelos policiais, eles teriam vindo a Pontes e Lacerda com a missão de executar Bucha.
Elias Martins de Almeida foi surpreendido enquanto descansava em uma rede no bar de sua propriedade, na entrada do bairro Morada da Serra. Imagens de uma câmera de segurança mostram dois suspeitos chegando em uma motocicleta. Um permanece no veículo enquanto o outro se aproxima e efetua dois disparos na região da cabeça da vítima.

Bucha foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado em estado grave ao Hospital Vale do Guaporé, onde permanece entubado.
De acordo com o major, durante as conversas com os sobreviventes foram revelados detalhes que, segundo a PM, coincidem com elementos da investigação do atentado. Um deles teria afirmado que o grupo recebeu por videochamada a determinação para realizar a ação.
A participação de cada envolvido ainda será formalmente apurada pela Polícia Civil.
Moto usada no atentado foi localizada
Outro elemento considerado importante pelos policiais foi a localização de uma motocicleta preta, sem placa, que apresenta características compatíveis com o veículo registrado pelas câmeras de segurança no ataque contra Bucha.
Segundo a Polícia Militar, Adrian informou onde a motocicleta teria sido escondida após a ação. As equipes realizaram buscas em uma área de pastagem e mata nas proximidades do bairro Vera e localizaram o veículo a cerca de 150 a 200 metros da residência.

O major Capobianco relatou que a procura levou algum tempo devido à extensão da área e à baixa luminosidade, mas a motocicleta acabou sendo encontrada e preservada para perícia.
Uma placa de motocicleta também foi localizada dentro da residência. A investigação deverá verificar se ela pertence ao veículo apreendido.
Arma será submetida a confronto balístico
O revólver calibre .38 encontrado com o adolescente também será analisado pela perícia. A Polícia Militar trabalha com a possibilidade de que a arma tenha relação com o atentado contra Bucha, mas ainda não há confirmação.

Segundo o major Capobianco, será necessário realizar confronto balístico para verificar se os projéteis ou outros vestígios encontrados no ataque da tarde são compatíveis com o armamento apreendido.
“Possivelmente agora vai para investigação e confronto balístico, para verificar se realmente partiu desse armamento o ataque contra o Bucha”, explicou.
Casa teria sido alugada antes da chegada do grupo
Ainda conforme as informações obtidas pela Polícia Militar, o imóvel onde ocorreu o ataque no Residencial Vera já estaria alugado havia aproximadamente uma semana por uma pessoa conhecida dos envolvidos. Esse homem, porém, não estaria na residência no momento do ataque.
Segundo o major, quando os jovens chegaram de Vilhena, a casa já estava preparada para recebê-los. A Polícia Civil deverá investigar quem alugou o imóvel e se outras pessoas deram apoio logístico ao grupo.
A PM também apura se havia outros possíveis alvos em Pontes e Lacerda, mas, até o momento, não há confirmação de que o grupo teria vindo ao município para cometer outros crimes além do ataque contra Bucha.
Disputa entre facções passa a ser investigada
A Polícia Militar aponta que os fatos registrados durante a sexta-feira podem estar relacionados a uma disputa entre organizações criminosas rivais. O adolescente apreendido teria declarado ser aliado ao PCC, enquanto atribuiu o ataque noturno a integrantes possivelmente ligados ao Comando Vermelho.
A corporação, entretanto, ressalta que as vinculações, motivações e participações ainda precisam ser confirmadas pela investigação da Polícia Civil.

O major Capobianco destacou ainda que Pontes e Lacerda vive um período de forte atuação das forças de segurança contra o crime organizado, com grandes apreensões de drogas realizadas recentemente pela Força Tática, RAIO e equipes de inteligência. Segundo ele, prejuízos provocados às organizações criminosas e disputas internas podem alimentar conflitos entre grupos rivais, hipótese que também deverá ser aprofundada nas investigações.
A Polícia Judiciária Civil e a Politec estiveram no Residencial Vera para os procedimentos de investigação e perícia. A motocicleta, a arma, as munições e os aparelhos celulares apreendidos deverão passar por análise para auxiliar no esclarecimento dos dois ataques registrados ao longo da sexta-feira em Pontes e Lacerda.





