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Delegado diz que inquérito sobre morte de Lucas está em estágio avançado em Pontes e Lacerda

Delegado Gabriel Chadud afirma que condutor de 19 anos se apresentou voluntariamente, não pagou fiança e poderá ser responsabilizado conforme resultado da investigação

Foto: Canal Diário/Pontes e Lacerda

A Polícia Civil informou nesta quarta-feira (16) que o inquérito que apura a morte de Lucas Daniel Souza de Oliveira, de 22 anos, atropelado por uma motocicleta na Avenida Marechal Rondon, em Pontes e Lacerda, já está em estágio avançado. O delegado Gabriel Chadud, responsável pela investigação, concedeu entrevista coletiva e detalhou as diligências realizadas desde o acidente, além de esclarecer a situação do condutor de 19 anos que se apresentou à delegacia na tarde de terça-feira (15), acompanhado por advogados.

Segundo Gabriel Chadud, desde o dia do acidente a Polícia Civil vem reunindo imagens, depoimentos, informações de testemunhas e outros elementos para compreender o que aconteceu antes, durante e depois da colisão. O delegado afirmou que a dinâmica básica do caso já foi compreendida, mas destacou que ainda é necessário analisar todo o conjunto de provas para definir corretamente a responsabilização criminal. “Não vou trabalhar com boatos, não vou trabalhar no calor da emoção. Vou trabalhar com técnica”, afirmou.

O condutor da motocicleta se apresentou voluntariamente na delegacia e foi formalmente interrogado. Conforme explicou Gabriel Chadud, ele não foi preso naquele momento porque já não estava em situação de flagrante e não havia decisão judicial determinando sua prisão. O delegado também desmentiu a informação de que o jovem teria deixado a unidade após pagamento de fiança. Segundo ele, não houve pagamento de fiança.

“Ele simplesmente se apresentou. Como não era uma situação de flagrante, eu não poderia mantê-lo preso sem uma decisão judicial”, explicou o delegado. Gabriel Chadud ressaltou, no entanto, que isso não significa que o condutor ficará sem responder pelo caso. Segundo ele, o inquérito prossegue e poderá resultar na adoção das medidas cabíveis, conforme o enquadramento jurídico definido a partir das provas reunidas.

Durante a coletiva, o delegado também falou sobre as informações de que o motociclista estaria realizando manobras perigosas antes do atropelamento. Segundo Gabriel Chadud, o jovem possui histórico de uma pilotagem agressiva e de realizar o chamado “grau”, mas as imagens do momento exato da colisão não permitem afirmar com clareza que a motocicleta estava empinada no instante do impacto. Testemunhos e outros vídeos, porém, indicariam que ele teria realizado manobras momentos antes do acidente.

O suspeito também apresentou sua versão para ter deixado o local. De acordo com o delegado, ele alegou durante o interrogatório que ficou com medo de ser linchado devido à presença de várias pessoas na região. O conteúdo integral do depoimento é sigiloso e continuará sendo analisado no curso da investigação.

Outra questão que ainda será definida é se o caso será tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, ou se existem elementos para uma imputação mais grave. Gabriel Chadud afirmou que não pretende antecipar essa conclusão e que aguarda, entre outros elementos, o resultado do trabalho pericial da Politec. “As provas demonstrarão. Ele vai responder pelos atos dele, isso é fato”, declarou.

A Polícia Civil também teve acesso ao celular de Lucas com autorização da mãe da vítima. Segundo o delegado, a família informou que Lucas e o condutor da motocicleta se conheciam, embora não fossem amigos. A análise do aparelho foi feita para verificar se existiam elementos que pudessem contribuir para o esclarecimento do caso. O que foi encontrado será incorporado ao inquérito.

Gabriel Chadud afirmou ainda que conversou pessoalmente com a mãe de Lucas e garantiu que o caso será tratado com prioridade. Segundo ele, o inquérito já reúne testemunhas, vídeos, imagens do local e informações sobre pessoas que estiveram com o condutor antes do acidente. A intenção da Polícia Civil é concluir o procedimento o mais rápido possível e encaminhá-lo ao Poder Judiciário.

Durante a entrevista, também foi abordado o histórico do jovem de 19 anos. O delegado confirmou que ele já esteve envolvido em outras ocorrências enquanto adolescente e também no acidente registrado anteriormente na Avenida Goiás, em Pontes e Lacerda. Todo esse histórico, segundo Gabriel Chadud, será levantado e deverá constar no relatório final encaminhado à Justiça.

Questionado sobre a possibilidade de prisão preventiva, o delegado explicou que a medida pode ser solicitada em determinadas circunstâncias, inclusive caso as provas apontem para uma conduta dolosa. No entanto, ressaltou que qualquer prisão dependerá de fundamentação jurídica e de decisão do Poder Judiciário. Ele também destacou que não cabe à Polícia Civil antecipar culpa ou pena.

Lucas morreu na madrugada de domingo (13), após ser atingido por uma motocicleta enquanto atravessava a Avenida Marechal Rondon. O condutor deixou o local após a colisão e se apresentou dois dias depois. Agora, a Polícia Civil concentra os trabalhos na conclusão do inquérito e na definição do enquadramento jurídico do caso.

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