O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) contratou uma empresa por aproximadamente R$ 15,5 milhões para executar serviços emergenciais de recuperação da Ponte Milton Guilherme Müller, localizada sobre o Rio Guaporé, na BR-174B, em Vila Bela da Santíssima Trindade, na região Oeste de Mato Grosso. A estrutura, que possui 182 metros de extensão, está totalmente interditada desde o dia 16 de outubro, após a identificação de novos problemas de sustentação. A contratação foi publicada no Diário Oficial da União na terça-feira (3), representando uma nova etapa na tentativa de restabelecer o tráfego pela ponte.

O contrato, no valor de R$ 15.553.547,14, foi assinado em 29 de outubro com a empresa Elsali Engenharia Ltda., conforme informações divulgadas pelo portal Folha 5. Nos registros do procedimento de contratação também consta o Consórcio Elsali–BR Paving, liderado pela Elsali Engenharia. A contratação ocorreu por dispensa de licitação, com fundamento na legislação que permite esse procedimento em situações emergenciais. O prazo de vigência do contrato se estende até 14 de maio de 2027, embora isso não signifique necessariamente que a ponte permanecerá interditada durante todo esse período.

A Ponte Milton Guilherme Müller está situada no km 81,2 da BR-174, no trecho que atende Vila Bela da Santíssima Trindade e faz parte da ligação rodoviária com Pontes e Lacerda. A estrutura é utilizada por moradores, transportadores e veículos de carga, sendo importante para o deslocamento de pessoas e o escoamento da produção regional.

Problemas estruturais são registrados desde 2024

Os problemas de sustentação da ponte não são recentes. Em 2024, o DNIT já havia identificado uma situação de emergência provocada pelo chamado recalque diferencial, fenômeno que ocorre quando partes da estrutura apresentam deslocamentos ou afundamentos em intensidades diferentes. Conforme os registros técnicos, a situação atingia dois pórticos da ponte e estava relacionada à baixa capacidade de sustentação do solo.

Em julho de 2025, diante do risco de agravamento dos danos, o DNIT restringiu a passagem de veículos com peso superior a 30 toneladas. A medida buscava reduzir a sobrecarga na estrutura e preservar as condições de segurança, especialmente diante do tráfego frequente de caminhões utilizados no transporte de produtos agrícolas e minerais.

Na ocasião, o órgão federal alertou que novos deslocamentos poderiam resultar na interdição completa da travessia. O cenário se agravou em outubro de 2026, quando foi identificado outro recalque diferencial. Diante da possibilidade de comprometimento da segurança, o DNIT determinou a interdição total da ponte a partir de 16 de outubro.

Motoristas dependem de travessias alternativas

Com o fechamento da Ponte Milton Guilherme Müller, o tráfego precisou ser reorganizado. Segundo informações divulgadas pelo Folha 5, veículos com peso inferior a 30 toneladas passaram a utilizar uma ponte provisória de madeira, enquanto os veículos mais pesados dependem da travessia por balsa.

A situação afeta principalmente transportadores que utilizam a BR-174 para deslocamentos entre Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e outras localidades da região. Além de alterar a rotina de viagens, as restrições podem aumentar o tempo necessário para o transporte de mercadorias, produtos agropecuários e outros tipos de carga.

A recuperação da estrutura é considerada importante para restabelecer a circulação pela rodovia federal e reduzir as dificuldades enfrentadas por moradores e motoristas que dependem da ligação.

Contrato prevê recuperação emergencial

O procedimento de contratação foi realizado com fundamento no artigo 75, inciso VIII, da Lei Federal nº 14.133/2021, que permite a dispensa de licitação em determinadas situações de emergência. A medida é utilizada quando existe necessidade de intervenção para evitar riscos à segurança ou prejuízos decorrentes da interrupção de serviços e estruturas essenciais.

O valor contratado contempla os serviços emergenciais de recuperação da ponte. Os documentos públicos do processo incluem projetos técnicos de reforço estrutural, orçamento e justificativas para a contratação, mas as informações divulgadas na reportagem não detalham um cronograma público de execução de cada etapa da obra.

A vigência contratual até maio de 2027 estabelece o período previsto para a relação contratual. Entretanto, ainda não há uma data confirmada para a liberação definitiva do tráfego sobre a ponte, que dependerá da conclusão dos serviços e da avaliação das condições de segurança pelo DNIT.

A intervenção representa uma medida importante para a infraestrutura rodoviária da região Oeste de Mato Grosso, especialmente diante da importância da BR-174 para a circulação de moradores e o transporte de cargas. Até que a estrutura esteja liberada, os motoristas devem respeitar a interdição e utilizar as alternativas de travessia indicadas pelas autoridades responsáveis.